A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgou a 10ª edição do Boletim Panorama – Saúde Suplementar, reunindo dados atualizados sobre o desempenho do setor até o terceiro trimestre de 2025. O levantamento mostra crescimento no número de beneficiários, tanto nos planos médico-hospitalares quanto nos exclusivamente odontológicos, além de detalhar o comportamento dos usuários.
De acordo com o relatório, os planos médico-hospitalares registraram alta de 2,70% no número de beneficiários, enquanto os planos odontológicos cresceram 2,88%. Os dados são consolidados a partir de informações enviadas pelas operadoras por meio de sistemas como o Documento de Informações Periódicas (DIOPS), o padrão TISS, o Sistema de Informações de Beneficiários (SIB) e o Sistema de Informação de Produtos (SIP).
Apesar do avanço na base de usuários, o estudo aponta uma queda no uso de serviços assistenciais ao longo de 2024, com leve recuperação no último trimestre do ano e nova retração no início de 2025. A redução no volume de consultas e exames chama a atenção de especialistas do setor.
“A queda no uso preventivo de consultas acende um alerta importante. Quando as pessoas deixam de acessar a atenção primária à saúde, isso pode indicar que problemas estão sendo negligenciados e, no futuro, tendem a se transformar em quadros mais graves e de maior complexidade assistencial. Para as operadoras, o desafio não é apenas crescer em número de beneficiários, mas garantir e incentivar o cuidado contínuo e preventivo”, avalia o médico e CEO da True Auditoria, Waldyr Ceciliano.
O boletim também destaca a redução no número de reclamações registradas pelos consumidores, refletida na queda do Índice Geral de Reclamações (IGR) entre janeiro e outubro de 2025, que caiu de 58,2 para 50,6 reclamações por 100 mil beneficiários nos planos médico-hospitalares.
Para Ceciliano, esse é um reflexo das novas normas de atendimento impostas pela ANS às operadoras e também a ascensão das práticas de compliance, que ganham cada vez mais espaço no ambiente da saúde. “Quando o cliente tem sua dúvida ou problema resolvido no primeiro contato, esse índice cai automaticamente. Logo, se os processos internos estão otimizados, a operadora cresce no ranking de confiança dos usuários”, destaca o CEO da True, empresa especializada em auditoria, consultoria e compliance para a saúde.
Outro ponto abordado no Panorama é a integração entre o setor público e a saúde suplementar, com destaque para o programa Agora Tem Especialistas, do Ministério da Saúde. A iniciativa permite a conversão de dívidas das operadoras em atendimentos ao Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando o acesso da população a especialidades como cardiologia, ginecologia, oftalmologia, oncologia, ortopedia e otorrinolaringologia.
Segundo Ceciliano, ações desse tipo são estratégias positivas para reduzir gargalos assistenciais e evitar a progressão de doenças que poderiam ser tratadas de forma mais simples e eficaz na atenção primária. “Investir em prevenção e acesso oportuno a especialistas é fundamental para reduzir internações evitáveis, controlar custos e melhorar a experiência do beneficiário. É esse equilíbrio que garante sustentabilidade ao sistema de saúde, seja público ou supletivo”, conclui o executivo.
O estudo completo está disponível no site da ANS: https://www.gov.br/ans/pt-br/arquivos/acesso-a-informacao/perfil-do-setor/dados-e-indicadores-do-setor/publicacoes/Panorama_Saude_Suplementar_Ed_10_nov_2025_r06.pdf

